Terça-feira, Fevereiro 17, 2009
Mohamed Futebol Clube
Ronaldo Novaes
No meio de tanta notícia ruim,
Bala perdida, fundos perdidos,
Crise financeira e existencial
Guerra entre torcidas em pleno carnaval
De longe vem o menino.
Driblou a (in) segurança,
Invadiu a zaga italiana
e se esocondeu no porão da liberdade
Sofreu falta e o juiz não viu:
Sete dias sem pão
Pedalando a tristeza e a saudade,
Foi pego pela Azurra zaga zangada.
Entregue ao poder tupiniquim,
Num dialeto misturado ao francês zidanês,
Repete o nome de magos
Reconhecidos em qualquer nação.
Kaká, Robinho, Adriano, Ronaldo
Nos faz lembrar de Zico, Pelé, Garrincha, Clodoaldo
E do grito do Galvão: É Tetra! É Tetra! É Tetra!
E o menino penetra invade o coração verde amarelo.
É Gol?
O jogo ainda não acabou,
Mas não importa o placar,
Em sua louca paixão, o menino muito ensinou.
Quão belo e perigoso é sonhar.
Quão triste e doloroso é não arriscar.
Viver é entrar em campo,
É sofrer, é chorar, é perder, é ganhar,
Viver é jogar...
Sexta-feira, Setembro 26, 2008
A Volta da Poesia
Ronaldo Novaes
...E no meio de cinzas nuvens
e pálidas canções
nosso desidratado amor se esvai...
O tempo tece rugas no tear de nossa face...
Como se chega aqui?
Como se chega a esta escura e úmida cova chamada poço?
sem cordas, exceto a do pescoço
Sem escadas, sem luz, sem amor, sem nada.
Vãs justificativas!
Argumentos e queixas
que só aumentam o vazio
e comprovam a chegada do fim
Um coração ferido não pode se dar sempre
Por mais que se queira dar
espera-se receber
senão amor, paz!
senão paz, silêncio...
mas o que fazer, quando nem silêncio se tem pra dar?
Agita-se a alma na esperança de se encontrar a paz
Se mata por querer viver,
Se afasta por querer estar.
E assim, no desvanecer de um sonho
A tristeza anuncia
a volta da poesia
Sábado, Agosto 18, 2007
Vivo de sonhos!
Ronaldo Novaes
Quando nasci, sonhei:
o Brasil se fez Tri!
Ainda lembro do sabiá cantando em minha janela
Na aurora de minha vida...
Lembro-me do rio manso
correndo nas Águas Virtuosas,
e de meu pai, brincando comigo,
tomando banho de cachoeira!
Ainda posso sentir os peixinhos
me fazendo cóssegas nas pernas...
Lembro-me das noites claras,
meu irmão e eu, enchendo vidros de vaga-lumes,
iluminando nossas vidas com lanternas esverdeadas...
E como havia de esquecer nossa pescaria
na lagoa da Maravilha?
Meus olhos marejam...
Lembro-me, ao dezesseis, sobre o telhado,
brincando de guitarrista, tocando para as estrelas.
A noite sempre foi minha melhor amiga...
Também não esqueci a primeira lição de solfejo,
na banda municipal, e a paciência do seu Amir!
Lembro de meu irmão, meu herói,
empunhando seu trompete imponente,
tocando "Magic Man"
Lembro-me de muitas coisas boas...
que me fazem viver de sonhos!
Quinta-feira, Agosto 16, 2007
Meus amigos
Ronaldo Novaes
Meus amigos são meus.
Meus inimigos são deles!
Aos primeiros,
sou amor, sou saudade...
porta aberta a qualquer hora
claridade...
Aos demais,
sou perdão, sou piedade...
sou, também, uma vontade
caridade...
Meus amigos são meus,
meus inimigos são deles.
Aos primeiros, a lembrança
aos demais, a esperança
E, se no afã de ser eu mesmo,
exacerbo, à intemperança.
Rogo o indulto pronto e findo
de quem cultiva em si bonança.
Segunda-feira, Maio 14, 2007
Navegar é preciso...
Fernando Pessoa
Pessoa imortalizou em seu poema a frase de Pompeu:
"Navigare necesse; vivere non est necesse"
a frase é do general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros,
amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra,
cf. Plutarco, in Vida de Pompeu
Eis o poema...
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Fernando Pessoa
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Parodiando Pessoa...
Acreditar é Preciso!
Ronaldo Novaes
Viver não é preciso...
Crer é mais necessário!
Sobreviver não é viver, meu caro!
Mais que viver, é preciso acreditar!
Acreditar que se pode, e que se alcança
que se atinge a meta e se completa esperança.
A fé é o vento que impulsiona minha vela
e esse vento só sopra numa direção:
a direção de meus sonhos mais profundos!
Há que se enfrentar penhascos
Há que se vencer recifes
Naufragar-se em lágrimas
Sem jamais perder-se em mágoas
Não guiar-se por conquistas imediatas
Não sucumbir às massas
Não afeiçoar-se aos descarnados aplausos
das conquistas fáceis...
Acreditar é preciso.
Acreditar eu preciso!
Sexta-feira, Maio 04, 2007
Encontra-me!
Ronaldo Novaes
Encontra-me!
Pois me encontro pronto e feliz
em meu pequeno mundo...
Busquei alcançar estrelas
Naveguei mares bravios
Enveredei-me em cruzadas
Imolei meu eu mais profundo
Despejei-me de amores
Mendiguei afetos e cuidados
Desvairei-me em mil devaneios
Destilei meu pranto
e cá, me econtro,
pronto!
Apressei-me ao encontro das mariposas
Tornei-me poeta ao acaso
Cultivei margaridas coloridas
Tramei temas e sinfonias
Tangi serenatas enluaradas
Primaverei sorrisos
Orkutiei novas amizades
De tudo fiz em vão
Escondida estavas em tua crisálida
Indiferente às rimas e encantos
Tranquila em teu canto
Esperando cessar minha procura
Encontra-me!
Pois minha busca cessou
Me encontro bem cá onde estou!
Encontra-me!
Pois me sinto feliz
No cultivo de meu jardim
Domingo, Abril 22, 2007
Estações da Alma
Ronaldo Novaes
Inverno
Na palidez de meus sentidos
Não vejo o azul que o cinza esconde
Não sinto dor, angústia ou medo
Não vejo o sol nascer ao longe
Não vejo a flor, não ouço o canto
Não sinto os pés, não verto o pranto
Nem esse nó cá na garganta
Que me assombra tua lembrança
Nada me fere o peito ausente
Nem esse anúncio necrológico
De um sonho a dois por um desfeito
Minh´alma jaz entregue a sorte
Se da vida brota a morte: seio doce e materno,
Durmo em paz, na paz do inverno
Quinta-feira, Abril 19, 2007
A Visita
Ronaldo Novaes
Fui procurado diversas vezes
pela solidão e suas amigas,
e nunca fechei-lhes a porta
elas são sempre bem vindas.
Por isso vêm e vão quando querem!
Entram, sentam, tomam chá
Comigo cismam, comigo pensam
tecem conjecturas, dialogam
Enchem-se de vazios existenciais
transbordam-se de saudades insaciáveis
emocionam-se e riem de coisas pequenas
Ouvem música, ouvem sonhos
Lêem livros, partilham histórias
bordadas de silêncio...
Quarta-feira, Abril 11, 2007
Felicidade
Ronaldo Novaes
Felicidade é uma menina sapeca,
brincando de boneca, distraída
enquanto tu a procuras
feito louco, por toda vida...
Felicidade está ao teu lado
brincando de pique, escondida
nos pés de morango de Rubem Alves,
no sorvete que te meleca os dedos
na brisa que te beija a face
numa tarde quente de sol
Felicidade é uma menina alegre
feita de açúcar como beijo leve de vovó
Ela gosta de histórias infantis,
não só de histórias,
mas de corações infantis...
Talvez por isso viva na saudade:
"Ah, como eu era feliz..."
Felicidade não é um porto, é um navegar!
Felicidade não um caminho, é um caminhar!
Felicidade é tudo, menos ter!
Felicidade é um convite para ser!
Felicidade é um contentamento e como tal
não rima com ambição: para estar contente,
é preciso gratidão!
Felicidade é não ter que nada,
Há coisa mais chata do que ter que ser feliz?
A Felicidade não conhece o amanhã,
este se lhe aparenta muito velho e sério
e mora longe, num país distante...
Felicidade mora perto!
Felicidade é uma menina sapeca,
levada da breca, brincando de roda
ao redor do poeta
Segunda-feira, Abril 09, 2007
Estações da Alma
Ronaldo Novaes
Outono
Como são belas as folhas amarelas
Quão verdes foram antes!
Esculpidas pelo sol, bordadas pelo vento
escondem em si manhãs primaveris,
e sons de bem-te-vis de tempos juvenis
Folhas amarelas, tão belas!
Silenciosas, até o chão, flutam
ao sabor do vento, resumindo a vida
num singelo e mágico momento...
Folhas amarelas, tão belas!
Não escondem as rugas, nem temem
a morte, pintam o chão de ouro
aceitam sua própria sorte.
Os galhos. Estes permanecem tristes e nus
Aguardam outras estações, mas as folhas amarelas,
estas estão ali, iluminando meus olhos...
Deitam ao chão como filhas no colo da mãe
Ali descansam de invernos passados
Deixam-se consumir e devolvem-se à terra como alimento
Banham-se das lágrimas de nuvens distantes
pois os próximos não lhe chroram saudade
Dormem, enfim, na paz do outono...
Quanto a mim...
Caminho errante entre galhos nus e silenciosas florestas
O vento seco borda-me a face e o sol diário talha-me o rosto
Mas resisto...
Quantas primaveras vivi sem apreciar as flores,
e quantos invernos queixei-me de saudade do sol?
Porém do outono nunca me esqueci,
me encantam as folhas amarelas...
Rodopiando ao sabor do vento,
quanta vida há em tal desprendimento?
Naqueles poucos segundos do galho ao chão!
Quantos ventos ainda vão curvar-me o tronco
e quantos talhes esculpir-me-á o sol?
Tornar-me-ei uma folha amarela?
Pintarei o chão de ouro?